sábado, 5 de dezembro de 2009

Carta a Papai Noel

Carta a Papai Noel

Querido papai Noel
Esse ano eu não quero brinquedo, quero outro presente. Nesse Natal, quando meu irmãozinho Jesus faz aniversario queria que você fosse na minha casa e em todas as casas do mundo e conversa-se com mamãe e com papai e com todas as mamães e papais do mundo.
Diga a eles que as crianças gostam muito das baleias, das tartarugas, dos golfinhos e de todos os bichinhos do mundo, a gente também gosta das arvores, de flor, de rio e cachoeira.

Fale pra eles pararem de destruir o planeta, porque ai não vai ter mais Natal e Jesus vai ficar muito triste.

Nesse Natal papai Noel eu quero um futuro de presente

Assinado
Os filhos

Há! Se você conseguir isso, eu prometo que como legumes

Boa noite papai Noel!

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Samba do Encantado

Samba do Encantado

Amor de lua
Senhora da cachoeira
Amor de mar
Canção de sereia
Amor de perdição
Luzes da rua

Filho do boto
Rosa na lapela
Novena de promessas
Sino de capela
Lenda de lobos
Filhos da floresta

Entes da mata
Samba crioulo
Som da águas
Ritmo de choro
Sêmen da terra
Gente do morro

Sonho de ribalta
Ladeira do torto
Moleque peralta
Brilho no olho
Sorriso na cara
Coração de ouro

Curtido na vida
Sambando no couro
Na goela da noite
Entalado de novo
Encantando a alma
Saldando o povo

(AlexSimas)

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Outro Natal...

Outro Natal...

Sonhamos com neve sobre o telhado
Em pleno verão tropical
Papai Noel escorregando por chaminés
Em pleno verão tropical
Pinheiros nevados aterrados em presentes
Em pleno verão tropical...
... No país do eterno amanhã

Mesa farta de tâmaras, morangos, avelãs
Maçãs, figos, pêssegos, cerejas, nozes...
No país do caju, da manga, do abacaxi
Da goiaba, da banana, do açaí, do cupuaçu
Da graviola, da pupunha, do tucumã...

Lá fora uma redonda e cheia lua enfeita
Um céu de mil estrelas que pululam tal qual
Balé de vaga-lumes sob um azul quase negro
Embalando o hipnótico sentimento de
Solidariedade em cuja parede pendura-se
O quadro da hipocrisia, pintado com as cores
De nossa cega estupidez, quase irmã

Orgulhosos, distribuímos nossas migalhas
Aos pobres desafortunados...
Tão ou mais ricos dos nossos mesmos sonhos...
... Ate acordarem pela manhã

Ate a chegada dos soturnos dias de Janeiro
E junto com eles todas as lágrimas da terra
Recomeçando o drama da nova espera
Das caridades do próximo natal
Único dia no ano que a maioria das almas...
... Enxerga sua irmã

(Alexandre Costa)

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Implacável...

Implacável...

O tempo voa...
Quem deu asas a esse cara?
Ele passa, atropela e vai
Sempre vai, nunca para
Não respira, não descansa
Come vida, bebe lágrima

Ricocheteia em sorrisos
Segue, pisando calos
Roendo ferro
Devorando séculos
Singrando, sangrando, cicatrizando
E vai, não para...
Comendo vida, bebendo lágrima

O tempo é isso, é bicho
Fera solta, indomada
O perdido que nunca se acha
Não conhece contramão
Sempre passa, nunca volta
Não se importa
Não olha em volta
Sempre em frente
Bebe lágrimas, come vida
Devora gente

Ele passa e lhe chama
Você vai ou você fica
Você escolhe
A ele nada importa
Quem vive ou quem morre
Ele só ensina
Uma única lição
Siga sempre em frente
Seja leve ou pesado
Seu coração
Não economiza vida
Vida guardada é sofrimento
Vida usada é diversão

(SamisXela)

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Ilógico...

Ilógico...

Quantas intenções vão escondidas
Por trás das outras
Quantas lágrimas perdidas
Madrugadas loucas
Quantos moinhos de ventos
Alimentam fantasias
Quantas noites sonhadas
Madrugadas frias
Quantas perguntas perdidas
Em respostas vazias
Quantas mesas, quantos bares
Transmutam mentiras e verdades
Quanto vinho sorvido
Para suportar os açoites
Quanto calor gera a alma
No ardor de uma paixão
Quanta luz é preciso
Para vencer a escuridão
Quantas camas freqüentadas
Para esconder a solidão
Quanto pão desperdiçado
Em nome da religião
Quantos sentimentos mesquinhos
Alimentam a dor
Quantos corações tolos
Vazios de amor...

(SamisXela)