quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Anjo Demônio

Anjo Demônio

Para além da saudade
Mora um anjo de duas caras
Vezes arlequim, outras pierrô
Sorriso e lágrimas, amor e dor

Hora mensageiro afável
Acaricia-nos o coração
Noutras fantasma indelével
Empurra-nos para escuridão

Saudade, anjo infiel
Senhor da própria vontade
Guardião das chaves
Do inferno e do céu

(Samisxela)

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Enamorar-se...

Enamorar-se...

A seta cruza o peito
Infectando-o com o veneno do amor
Agora todas as luas são cheias
Novas num crescente de beleza
O tempo perde o sentido, enlouquece
Quando tudo vira saudade
Nada importa mais
A paixão cobra todos os preços
Lágrimas, sorrisos e liberdade
Pagamos sem reclamar
Com o júbilo do naufrago resgatado

Todos os tons são azuis
Nuvens são liteiras carregando ninfas
Olhos deitam sobre o crepúsculo
Como a procurar o próprio destino
A vida é uma carruagem
Puxada por borboletas douradas
Ostentosa, radiante, magicamente bela
Findam-se todos os invernos
E a primavera brota em flores e pássaros
Onde o sol passeia com a brisa
Acariciando-nos a face

Bocas cheias de palavras
Calam-se esvaziadas em beijos
Enquanto a alma descansa
Aconchegada em outro peito
Tomada pela inexplicável
Alegria dos amantes
Porque amar é...
... Escrever um poema para Deus

(AlexSimas)

sábado, 16 de janeiro de 2010

Epifenômeno

Epifenômeno

Vazio... Um nada...
Um oco no mundo
Alma se contorcendo
Lutando contra o invisível
Chove, mas não é culpa da chuva
Já é noite
Noite física
Que chega para dormir com o dia
Para novamente se despedir pela manhã
Na certeza de tornar a encontrá-lo
No final de outra tarde
Na rotina das eras
Tão certo quanto à morte
Juízo final particular de cada ser
Por onde andará o vendedor de sonhos?
Preciso de uma dose de pinga
Meia cuia de felicidade
Mesmo que de segunda mão
Por onde andará minha luz?
Filha da puta
Saiu para comprar cigarros
Faz muitos anos
Será que volta?
Para que haja fim ao infinito
Ainda não é março
Mas as marés me arrastam
Presente... Passado... Futuro...
O relógio continua andando
Maldita centopéia
Vida epifila
O ferrolho travou
Melhor esperar
Depois do carnaval
Melhora?

(Alexandre Costa)

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Meu Amigo Livro

Meu amigo livro

Dentre meus amigos, um é especial
Falante em sua maneira calada
Falante porque fala à minha alma

Acompanha-me desde sempre
Entende meus sorrisos e minhas lágrimas
Ensinou-me quase tudo que sei
E nunca me cobrou nada

Sábio e paciente amigo
Guia de sonhos e fantasias
Depositário de fé e sabedoria
Das ciências às poesias
Tudo nele se guarda

Sempre disposto a ajudar
A quem se propõe a lhe procurar
Tem sempre as respostas
Ate para quem não sabe o que perguntar

Tem muitas faces esse meu amigo
E muitas formas de ensinar
Mensageiro de homens e deuses
Ele apenas lhe mostra o caminho
É você quem escolhe qual trilhar

Múltiplo em sua singularidade
Às vezes afirma em outras desmente
E no dito pelo não dito
Vai cumprindo sua missão
De fazer você raciocinar.

(SamisXela)

sábado, 19 de dezembro de 2009

Doidejando...

Doidejando

Um dia desses no semáforo da esquina
Você olhou para mim
Bem na hora que o sinal abriu
E eu sorri, sorri só porque te vi
Você me jogou uma rosa pela janela
Mas, ela caiu no asfalto
Você sorriu e com uma pirueta
Ah resgatou e a beijou
Olhando para mim

Dançou com a rosa por entre os carros
Louco eu pensei, louco, louco, louco...
Então rezei para o outro sinal fechar
Corri pela calçada em meio à multidão
A criança em mim adorando a aventura
E de tão livre chorei

Te alcancei ainda na florista
Rosto brilhando como o do menino
Dançando ciranda de mãos dadas com a paixão
Como um acrobata demente
Saltei dentro do abismo de teus braços e te beijei
Ali na calçada sobre as marquises do tempo

De repente você bailava a meu redor
E me convidou para voar em tua ilusão
E eu voei sob o aplauso dos mendigos
E das flores emocionadas

Desculpe se a rua não é ladrilhada, você disse
Não deu tempo porque eu não te esperava
Mas, repare os olhos por trás das vidraças
Eles brilham como diamantes

Um soldado pediu silencio
Mandou que os carros desligassem o motor
Para ouvir o murmúrio que passeava no vento
Viva, viva, viva os loucos que inventaram o amor...

(AlexSimas)